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O barro como linguagem do luto: Ílhavo acolhe workshops criativos com investigadora britânica

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Entre maio e junho, o município de Ílhavo acolheu um ciclo inovador de workshops criativos, sob o título “Bereavement Support using creative and artistic techniques – Clay Workshops for Bereavement Support Groups”. A iniciativa integrou-se no Programa Comunitário de Apoio ao Luto (PCAL) e foi dinamizada por Adela Pakandlova, investigadora da Universidade de Coventry (Reino Unido), que se tem dedicado ao estudo do potencial terapêutico das artes — em particular, do barro — no processo de luto.

Este ciclo teve como objetivo central proporcionar às pessoas enlutadas da região de Aveiro um espaço de expressão emocional segura, através da modelagem em barro. Os workshops, realizados com o apoio de técnicos locais e instituições parceiras, foram desenhados como sessões de grupo com uma vertente simultaneamente artística, emocional e comunitária. A modelação em barro foi utilizada não apenas como técnica plástica, mas como veículo para externalizar emoções difíceis, nomear perdas e criar novos significados.

A iniciativa abrangeu também sessões com estudantes de licenciatura da região, oferecendo uma perspetiva prática sobre o uso de técnicas artísticas no apoio emocional, e promovendo a formação de futuros profissionais mais sensíveis às necessidades do luto.

Além do trabalho prático com os participantes, a presença de Adela Paknadlova teve ainda uma forte componente de investigação. A investigadora recolheu dados e testemunhos com vista à análise do impacto da expressão artística no processo de luto, contribuindo para a produção de conhecimento académico e para a publicação de estudos que sustentem a implementação de práticas semelhantes noutras comunidades.

Os encontros proporcionaram igualmente uma frutuosa troca intercultural e científica. Durante a sua estadia em Portugal, a investigadora reuniu-se com docentes, investigadores e agentes comunitários locais, com quem partilhou metodologias, experiências e reflexões sobre o papel das artes no cuidado a pessoas enlutadas. O contacto directo com a realidade portuguesa permitiu identificar semelhanças, desafios e oportunidades de colaboração futura, numa clara aposta na construção de redes internacionais de apoio ao luto.

Este ciclo de workshops reforça a importância de abordagens criativas e integradas no apoio ao luto, reconhecendo o corpo, o gesto e a criação como formas legítimas de expressão emocional. Num tempo em que tantas perdas são vividas em silêncio, o barro mostrou-se uma poderosa linguagem para moldar dor — e, com ela, também a esperança.

Grief is everybody’s business.

Samar Aoun

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