No âmbito do Programa Comunitário de Apoio ao Luto (PCAL), o município de Albergaria-a-Velha acolheu recentemente o ciclo de workshops “Bereavement Support using creative and artistic techniques – Clay Workshops for Bereavement Support Groups”. Esta iniciativa foi dinamizada por Adela Pakandlova, investigadora da Universidade de Coventry (Reino Unido), cuja investigação se centra no papel da expressão artística, em particular o trabalho com barro, na vivência e integração do luto.
Os workshops dirigiram-se a pessoas em processo de luto e foram concebidos como espaços seguros de partilha e criação, onde o barro funcionou como um meio de expressão emocional e simbólica. Através da modelação, os participantes foram convidados a dar forma ao que muitas vezes não se consegue verbalizar: a ausência, a saudade, a transformação, mas também a memória e o vínculo que permanece.
A proposta teve como base uma abordagem criativa e sensível, que reconhece o corpo, o gesto e o fazer artístico como formas legítimas de expressão de dor e reconstrução emocional. O trabalho manual com o barro revelou-se particularmente poderoso: um material maleável, que permite construir e reconstruir, tal como acontece no próprio percurso do luto.
Paralelamente ao trabalho com a comunidade local, Adela Paknadlova dinamizou também sessões com estudantes do ensino superior, proporcionando-lhes uma experiência prática sobre o uso de técnicas artísticas no apoio ao luto. Estas sessões contribuíram para uma formação mais holística e humana dos futuros profissionais das áreas da educação, saúde e apoio psicossocial.
A investigadora integrou ainda uma vertente académica neste projecto, recolhendo dados e testemunhos para análise do impacto desta metodologia, com vista à sua divulgação científica. O objectivo é contribuir para a validação e disseminação de práticas de apoio ao luto que integrem dimensões criativas, e que possam ser adaptadas a diferentes contextos culturais e comunitários.
Durante a sua passagem por Albergaria-a-Velha, Adela Pakandlova reuniu-se com investigadores, técnicos municipais, profissionais de saúde e representantes de organizações da comunidade, promovendo o intercâmbio de saberes e práticas sobre luto, criatividade e cuidado. A partilha de experiências e metodologias reforçou a importância de redes colaborativas e de uma abordagem plural ao apoio emocional. Este ciclo de workshops deixou uma marca profunda na comunidade albergariense, revelando que, por vezes, é através das mãos — e do silêncio da criação — que melhor se comunica a dor. Moldar o luto com barro foi, para muitos, um passo subtil mas significativo no caminho da integração da perda.
Grief is everybody’s business.
Samar Aoun
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