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A importância de gerir emoções nas perdas no II Fórum de Parentalidade Positiva da Figueira da Foz

No dia 18 de outubro, a investigadora Cristina Felizardo, especialista em luto e coordenadora do projeto de investigação sobre Formação Especializada no Apoio ao Luto (FAL) da Universidade de Aveiro, participou como palestrante no II Fórum de Parentalidade Positiva: (Te) Ser Família, promovido pela Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) da Figueira da Foz.

Com uma comunicação intitulada “As perdas e a gestão das emoções”, Cristina Felizardo abordou o tema do luto como experiência humana universal, salientando a necessidade de reconhecer e acolher as emoções associadas à perda — quer se trate de uma morte, separação, mudança familiar ou outras transições significativas na vida das crianças e adultos.

Durante a sua intervenção, destacou que “choramos quem amamos”, sublinhando que o luto é uma expressão natural do vínculo e que evitar sentimentos difíceis tende a prolongar a dor. Explicou que enfrentar a perda requer aceitar a realidade, permitir-se sentir e reconstruir o sentido da vida, com o apoio das relações e da comunidade.

A investigadora apresentou ainda um conjunto de estratégias resilientes para atravessar o luto de forma saudável:

  • Enfrentar a dor e reconhecer a realidade da perda.
  • Continuar a viver, assumindo responsabilidade pelo próprio processo e combatendo pensamentos ruminativos.
  • Evitar o isolamento, mantendo ativas as ligações sociais e familiares.
  • Falar sobre a morte e o luto, quebrando tabus e partilhando histórias de perda.
  • Cuidar de si, promovendo descanso, nutrição e práticas de autocuidado.
  • Viver em harmonia com a nova realidade, atribuindo novo significado à perda e preservando a ligação afetiva com quem partiu.

Numa abordagem integradora, Cristina Felizardo relacionou ainda estas estratégias com os cinco pilares da Inteligência Emocional, segundo Daniel Golemanautoconsciência, autocontrolo, motivação, empatia e competências sociais —, mostrando como o desenvolvimento emocional é essencial para cultivar resiliência e promover relações familiares saudáveis. O evento reuniu profissionais da educação, saúde e intervenção social, num espaço de diálogo sobre parentalidade, afetividade e bem-estar emocional. A participação de Cristina Felizardo reforçou a importância de educar para a gestão emocional e para o luto desde cedo, reconhecendo que “ajudar as famílias a falar sobre a perda é também uma forma de cuidar da vida”.