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Dar forma ao luto: exposição “Barro e Luto” revela criação, vínculo e significado

No passado dia 7 de janeiro de 2026, realizou-se a exposição dos trabalhos desenvolvidos no âmbito dos workshops “Barro e Luto”, dinamizados por Adela Pakandlova, investigadora da Universidade de Coventry, Reino Unido, durante o seu estágio internacional na Universidade de Aveiro. Esta iniciativa decorreu no quadro de uma colaboração académica internacional promovida pelo Departamento de Educação e Psicologia e pelo projeto de investigação “Aconselhamento no Luto: formação especializada no contexto português”, afirmando-se como uma experiência inovadora na articulação entre arte, educação e apoio ao luto.

A proposta de Adela Pakandlova centrou-se na utilização da modelação de barro como ferramenta terapêutica e educativa para pessoas em processo de luto. Através de oficinas práticas, procurou-se criar espaços de expressão e reflexão onde a experiência da perda pudesse ser acolhida de forma sensível, não apenas pela palavra, mas também pelo gesto, pela forma e pela matéria. O barro, enquanto elemento simbólico, moldável e profundamente sensorial, oferece uma via particular para tornar visíveis emoções complexas, por vezes difíceis de nomear.

Ao longo do estágio, os workshops foram dirigidos a diferentes públicos, incluindo grupos de apoio ao luto, estudantes, docentes, investigadores e outros membros da comunidade académica. Esta abrangência reforça o potencial desta abordagem para contextos diversos, demonstrando como a expressão artística pode constituir um recurso relevante na promoção da literacia emocional e na construção de respostas mais humanas e integradas face ao sofrimento associado à perda.

A exposição agora realizada incidiu, em particular, sobre o trabalho desenvolvido no âmbito do PCAL – Programa Comunitário de Apoio ao Luto, dinamizado pelo Município de Albergaria-a-Velha, com grupos de pessoas séniores em processo de luto. Neste contexto comunitário, os workshops assumiram especial significado, ao oferecerem um espaço seguro de partilha, simbolização e elaboração emocional. Para muitas pessoas participantes, o contacto com o barro possibilitou não apenas a criação de objetos, mas também a construção de narrativas internas sobre a ausência, a memória e a continuidade dos vínculos.

As peças apresentadas na exposição traduzem percursos singulares, marcados por diferentes formas de sentir e representar o luto. Mais do que resultados estéticos, estes trabalhos testemunham processos de envolvimento emocional, reconstrução de sentido e comunicação simbólica. Através deles, torna-se visível a importância de metodologias criativas no apoio a pessoas enlutadas, sobretudo quando integradas em respostas comunitárias sensíveis às necessidades concretas das populações.

A iniciativa evidencia ainda o valor das colaborações internacionais na renovação das práticas de formação e intervenção no domínio do luto. Ao aproximar saberes académicos, experiências comunitárias e abordagens artísticas, este estágio contribuiu para alargar horizontes de ação e reflexão numa área que continua a exigir respostas especializadas, multidisciplinares e culturalmente significativas.

A exposição dos trabalhos de “Barro e Luto” constitui, assim, um exemplo inspirador de como a arte pode abrir caminhos de expressão, reconhecimento e cuidado, ajudando a dar forma ao que tantas vezes permanece invisível na experiência do luto.