No dia 25 de março de 2026, quarta-feira, pelas 18h00, realizou-se no Laboratório do Envelhecimento mais uma Oficina do Luto, integrada no Programa de Apoio a Pessoas em Luto, da Câmara Municipal de Ílhavo. A sessão foi dinamizada pela Enfermeira Ana Rocha e centrou-se no tema “Fadiga por Compaixão”, uma realidade ainda pouco reconhecida, mas com impacto significativo na vida de quem cuida de pessoas em sofrimento.
A fadiga por compaixão pode ser entendida como um estado de exaustão física, emocional e mental crónica, que afeta sobretudo quem acompanha, de forma continuada, situações de dor, perda e vulnerabilidade. Profissionais de saúde, cuidadores informais, familiares e outras pessoas em funções de apoio podem experienciar este desgaste, muitas vezes de forma silenciosa, acumulando cansaço, tristeza, irritabilidade, dificuldade em descansar e sensação de esgotamento.
Ao abordar este tema no contexto de uma Oficina do Luto, a sessão procurou sublinhar que cuidar dos outros exige também atenção ao sofrimento de quem cuida. Em contextos marcados pela doença, pela perda ou pelo acompanhamento em fim de vida, é frequente que o foco recaia apenas sobre a pessoa fragilizada, deixando em segundo plano as necessidades emocionais daqueles que a acompanham. Reconhecer os sinais de fadiga por compaixão é, por isso, um passo importante para prevenir consequências mais graves e promover práticas de autocuidado e suporte.
A dinamização de Ana Rocha permitiu refletir sobre esta forma de sofrimento com proximidade, sensibilidade e clareza, contribuindo para uma maior consciencialização sobre os desafios associados ao cuidar. Iniciativas como esta reforçam o valor de criar espaços de informação e partilha, onde seja possível pensar o luto e o cuidado de forma integrada.
Ao trazer para discussão a fadiga por compaixão, esta oficina prestou um contributo relevante para a literacia em luto e para a valorização de uma cultura de cuidado mais humana, consciente e sustentável.
