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Luto: fenómeno natural inerente à vida

Mas o que é o luto?

O luto é um fenómeno universal, natural e inerente à vida. É um processo individual e subjetivo que decorre no tempo, de forma mais ou menos prolongada, após um evento súbito que leva a uma mudança na vida do individuo, como é o caso da perda significativa do vínculo afetivo.

É um fenómeno universal. Se admitirmos que o ser humano constrói afetos desde o dia em que nasce até ao dia em que morre, percebemos a inevitabilidade da perda de um, ou mais, amores ao longo da sua vida. Essa perda acontece de forma aleatória, casual, sem olhar a raça, credo ou idade. Os entendidos dizem-nos que toda a pessoa (criança, jovem ou adulto) irá experienciar, pelo menos, um processo de luto num determinado momento da sua vida.  

É um processo natural. Sendo um processo, tem uma função, uma finalidade, nomeadamente, facilitar a adaptação à perda significativa do vínculo afetivo e promover o ajustamento harmonioso à nova realidade. Dito assim parece simples. Mas quem já viveu um luto sabe que, de simples, este processo não tem nada ou muito pouco. Fazer o luto significa concretizar um conjunto de estratégias que vão ajudar a pessoa a consciencializar-se da perda do vínculo afetivo e da irreversibilidade da mesma, enquanto contribuem para a ressignificação do afeto perdido. Ou seja, o luto vai ajudar a pessoa a encontrar conforto nas ‘doces memórias’ que guarda do seu amor perdido, enquanto aprende a normalizar a sua nova realidade, onde aquele amor não existe mais.

É inerente à vida. Só falamos de luto porque falamos de amor e quando um amor é perdido, choramos essa perda, choramos quem amamos. Se não doer, então, não era luto. De facto, para poder ser considerado luto tem de ter estes componentes: a perda (do vínculo afetivo); a resposta que corresponde ao conjunto de sintomas físicos, cognitivos, emocionais, comportamentais e espirituais experienciados pela pessoa em luto; e o anseio, caracterizado pela busca incessante do afeto perdido que leva a um sentimento de desassossego e agonia, acompanhado pela sensação de ‘só estou bem onde não estou’. Mas não se fica assim para sempre. O luto é normativo. Durante este processo a pessoa descobre e apura estratégias individuais, os seus mecanismos de coping, que, quando adaptativos, vão ajudar a enfrentar os sintomas, a diminuir o anseio, a fortalecer a rede de afetos e a facilitar a transição harmoniosa para a nova realidade, a nova vida, onde nada é igual ao que era antes, mas onde o desconhecido dá lugar à nova normalidade.

Referências bibliográficas:

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