No dia 18 de outubro de 2025, o Instituto Português de Oncologia (IPO) de Coimbra acolheu o 1.º Encontro de Técnicos Auxiliares de Saúde – “TAS no lugar certo!”, uma iniciativa pioneira destinada a Técnicos Auxiliares de Saúde, estudantes e outros profissionais dos serviços de saúde. O encontro teve como objetivo valorizar o papel destes profissionais, promover a partilha de experiências e refletir sobre os desafios emocionais inerentes ao trabalho em contextos de elevada exigência humana.
Entre os vários momentos do programa, destacou-se a palestra de Cristina Felizardo, assistente social e membro do projeto de investigação “Formação Especializada no Apoio ao Luto (FAL)” da Universidade de Aveiro, dedicada ao tema “Luto Profissional e Luto Vicário” — duas dimensões frequentemente invisíveis, mas profundamente marcantes para quem trabalha no cuidado em saúde.
Na sua intervenção, Cristina Felizardo explicou que o luto profissional corresponde à reação emocional e relacional dos profissionais perante a morte de pessoas a quem prestaram cuidados, sendo especialmente prevalente em áreas como a oncologia, os cuidados paliativos, a enfermagem e o serviço social. Sublinhou que, apesar de frequente, este tipo de luto é muitas vezes silenciado e não reconhecido institucionalmente, o que aumenta o risco de fadiga por compaixão e burnout.
Abordou também o conceito de luto vicário, definido como a experiência de luto sentida em resposta à perda de outros, mesmo sem uma ligação direta às vítimas, resultante da identificação empática ou da exposição repetida a histórias de sofrimento. Este fenómeno, comum entre profissionais que acompanham doentes e famílias enlutadas, pode despertar tristeza intensa, exaustão emocional e crises de significado.
Para enfrentar estas experiências de forma saudável, Cristina Felizardo destacou a importância de cuidar de si, partilhar com os outros e transformar as instituições — através do autocuidado e da autocompaixão, da reflexão em equipa e da criação de ambientes de trabalho mais sensíveis e humanizados.
A palestra foi recebida com grande interesse e emoção, reforçando a importância de reconhecer o sofrimento invisível dos cuidadores e de valorizar a dimensão emocional da prática profissional.
