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O Luto por Perda Ambígua nas Doenças Mentais: Um Desafio Invisível

A perda ambígua é um tipo de perda que permanece indefinida e sem resolução, o que a torna particularmente difícil de processar. Ao contrário de uma perda definitiva, a perda ambígua mantém-se em estado de continuidade, sem um fim claro. No caso das doenças mentais, especialmente em condições que afetam a memória ou as capacidades cognitivas, como a demência, os familiares e amigos vivem um tipo de perda ambígua psicológica, em que o ente querido está fisicamente presente, mas psicologicamente ausente.

Este tipo de perda é profundamente desafiante, pois o ente querido continua a existir fisicamente, mas as suas características emocionais, cognitivas e de identidade parecem desaparecidas ou alteradas. Este fenómeno pode ser particularmente doloroso para as famílias de pessoas com doenças mentais, que se sentem impotentes ao observar a gradual desconexão emocional e psicológica de alguém que amam.

O luto por perda ambígua, especialmente no contexto das doenças mentais, é frequentemente um luto não reconhecido pela sociedade. Não há cerimónias ou rituais para esse tipo de perda, e as famílias podem não encontrar o apoio comunitário necessário para lidar com o sofrimento.

Apesar do impacto emocional, mental e físico que este luto contínuo provoca, ele não resulta necessariamente num quadro de doença mental. A literatura utiliza o termo “angústia crónica” para descrever este processo, no qual a tristeza e o luto se mantêm de forma prolongada, mas não são patológicos, embora tragam um elevado desgaste emocional e físico.

A Associação RiaMente – Associação de Famílias e Amigos dos Utentes do Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental da Unidade Local de Saúde da Região de Aveiro cujo objetivo é apoiar as famílias e amigos de pessoas com doença mental, defender e dar a conhecer os seus direitos, combater o estigma social e promover a saúde mental, realizou no passado dia 11 de outubro  workshop intitulado “Luto por Perda Ambígua: como aceitar a perda de alguém presente”, dinamizado por Cristina Felizardo, investigadora da área do luto e formação avançada de currículos especializados no apoio ao luto; membro do CIDTFF, do Departamento de Educação e Psicologia da Universidade de Aveiro.

Para mais informações poderá contatar a RIAMENTE através dos contatos disponibilizados aqui: https://www.facebook.com/profile.php?id=61554179966980

Para mais informações sobre o projeto de investigação continue a acompanhar as publicações semanais no site oluto.web.ua.pt.