No passado dia 3 de dezembro de 2024, a Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha organizou uma oficina temática sobre o luto não-finito vivido pelas famílias de crianças e jovens com necessidades especiais. Esta sessão integrou o Ciclo de Oficinas ‘Vamos falar sobre Luto?’, uma iniciativa aberta à comunidade no âmbito do Programa Comunitário de Apoio ao Luto. A oficina foi dinamizada por Cristina Felizardo, investigadora do projeto “Aconselhamento no Luto” da Universidade de Aveiro e CIDTFF – Centro de Investigação em Didática e Tecnologia na Formação de Formadores.
O conceito de luto não-finito, tal como descrito por Doka (1989) e Schultz & Harris (2011), refere-se a uma perda que, apesar de não ser definitiva, é duradoura e emocionalmente exigente. Nas famílias de crianças com necessidades especiais, o diagnóstico de uma condição como malformações congénitas ou doenças degenerativas marca o início de um processo contínuo de luto. Esta perda resulta da desconexão entre as expectativas iniciais dos pais e a realidade que enfrentam, sendo frequentemente intensificada pela sensação de impotência e pela frustração associada à impossibilidade de alcançar os marcos normais do ciclo de vida.
O luto não-finito distingue-se por características específicas, como a incerteza constante em relação ao futuro, o isolamento face ao que é socialmente considerado “normal” e a falta de reconhecimento social desta perda. Além disso, prevalecem sentimentos de desesperança, que tornam a integração das perdas intangíveis – como sonhos, crenças e expectativas – um trabalho psico-emocional contínuo.
Na oficina, destacou-se a importância do apoio informal, prestado pela rede natural de familiares e amigos, para que estas famílias consigam um maior sentido de pertença numa sociedade onde a inclusão nem sempre é garantida. Paralelamente, o apoio entre pares, em grupos comunitários ou serviços específicos como o Programa de Apoio ao Luto, revelou-se fundamental para ajudar as famílias a lidar com desafios emocionais e práticos.
Para casos mais complexos, foi enfatizada a relevância de recorrer a serviços especializados, como o Aconselhamento no Luto, a Intervenção Precoce na Infância e Terapia Familiar, que podem oferecer estratégias para lidar com as dificuldades que decorrem desta vivência e promover a harmonização do quotidiano.
A oficina permitiu não só sensibilizar os participantes para os desafios do luto não-finito, como também reforçar a importância de criar redes de apoio que validem as experiências únicas destas famílias, promovendo a sua inclusão e bem-estar emocional.
