No passado dia 23 de janeiro de 2025, o Auditório da Biblioteca Municipal de Matosinhos foi palco de um evento marcante sobre o luto e a perda. A tertúlia, organizada pela APSS – Associação de Profissionais do Sector Funerário e pela Servilusa, contou com a colaboração da Universidade de Aveiro e do CIDTFF – Centro de Investigação em Didática e Tecnologia na Formação de Formadores. A iniciativa teve como mote a apresentação do livro “Enquanto vamos sobrevivendo a esta doença fatal”, da autoria de Nelson Nunes, e reuniu especialistas da área, como a psicóloga clínica Carolina Santos, moderadora do evento, e a investigadora Dra. Cristina Felizardo, comentadora da obra.
O livro de Nelson Nunes, descrito pelo próprio como uma “exploração pessoal das várias manifestações da morte”, serviu de ponto de partida para uma reflexão abrangente sobre as diferentes faces do luto. A partir das histórias retratadas na obra, foram discutidas questões fundamentais como o impacto da perda na vida do enlutado e da sua família, bem como os fatores contextuais que influenciam este processo complexo.
Durante a sessão, destacou-se a diversidade de reações e sintomas que podem afetar uma pessoa em luto, não apenas a nível emocional, mas também cognitivo, físico e comportamental. Os participantes foram unânimes ao reconhecer que o luto é um fenômeno multifacetado, influenciado por elementos como o espaço onde ocorre, o tempo decorrido desde a perda e as relações interpessoais envolvidas.
Outro aspeto relevante abordado na tertúlia foi a importância do apoio da rede natural ou informal, constituída por familiares e amigos, para a promoção de um processo de luto saudável. Foi sublinhado que a presença e o suporte emocional proporcionados por estas redes podem ser determinantes para ajudar o enlutado a encontrar um caminho de adaptação à nova realidade.
A criação de espaços de partilha e reflexão sobre o luto também mereceu destaque na discussão. Os especialistas frisaram que, apesar da natureza sensível e da carga emocional intensa associada ao tema, é essencial promover momentos de diálogo que permitam desmistificar o luto e reduzir o estigma que ainda persiste na sociedade.
Ao longo de todo o evento, a participação do público foi uma constante, com intervenções e partilhas que enriqueceram a discussão e proporcionaram um ambiente de reflexão coletiva. A sessão encerrou com um momento dedicado a perguntas e respostas, permitindo aos presentes esclarecer dúvidas e trocar experiências diretamente com os intervenientes.
A tertúlia sobre luto reafirmou a importância de abordar este tema de forma aberta e inclusiva, promovendo um discurso informativo e sensível que auxilie na construção de uma sociedade mais empática e preparada para lidar com a perda.
