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Histórias de Vida e de Luto: contar para compreender, ouvir para transformar

No passado mês de março, decorreu em Ílhavo a oficina temática Histórias de Vida e de Luto, integrada no Ciclo de Oficinas “Vamos falar sobre Luto?”, promovido no âmbito do Programa Comunitário de Apoio ao Luto da Câmara Municipal de Ílhavo. A sessão foi moderada pela psicóloga clínica Ana Costa, em representação da Servilusa, e reuniu participantes de diferentes idades e percursos, unidos pelo desejo comum de compreender melhor o luto – o seu e o dos outros.

Através da arte de contar histórias, a oficina propôs uma abordagem sensível e profundamente humana ao tema da perda. O storytelling – ou a prática de contar histórias – revelou-se uma ferramenta poderosa na reconstrução de narrativas pessoais, sobretudo em contextos de fim de vida ou após uma perda significativa. Recontar a própria história, dar-lhe um novo enquadramento, nomear emoções e atribuir significados é, para muitos, um passo essencial na caminhada do luto.

A sessão proporcionou um espaço seguro onde histórias de vida e de luto puderam ser partilhadas na primeira pessoa, com emoção, mas também com clareza e propósito. Algumas dessas histórias foram narradas pelas vozes de quem as viveu; outras foram emprestadas, acolhidas e repetidas por quem, ao escutá-las, sentiu que podia dar-lhes novo fôlego e honrar os seus protagonistas. Esta partilha coletiva tem um valor terapêutico reconhecido: ajuda a quebrar o silêncio em torno do luto e a construir sentido onde muitas vezes só há dor.

Ao longo da oficina, houve ainda lugar para o encontro com narrativas ficcionais – romances, poemas, peças de teatro – onde amores e perdas são tecidos com a mestria de grandes autores. Estas obras não só nos oferecem espelhos onde podemos rever-nos, como também nos mostram possibilidades: de resistência, de aceitação, de transformação. A ficção, neste contexto, torna-se um terreno fértil para a reflexão e para o crescimento pessoal.

A identificação com as histórias dos outros – reais ou ficcionais – permite-nos, por vezes, aceder a emoções que ainda não tínhamos nomeado, ou descobrir novos olhares sobre as nossas próprias vivências. Neste jogo de espelhos, emerge uma consciência mais clara da forma como escolhemos viver, amar e lembrar. Ao fim de duas horas de escuta, reflexão e partilha, a oficina Histórias de Vida e de Luto deixou no ar uma certeza: falar de luto é, acima de tudo, falar de vida.