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Cooperação Internacional no Apoio ao Luto (Reino Unido): técnicas criativas para ajudar enlutados

No âmbito de uma colaboração internacional promissora, a Universidade de Aveiro, através do Departamento de Educação e Psicologia e do projeto de investigação “Aconselhamento no Luto: formação especializada no contexto português”, acolhe durante três meses a investigadora Adela Pakandlova, da Universidade de Coventry (Reino Unido), para um estágio dedicado ao estudo e aplicação de técnicas criativas no apoio ao luto. Esta iniciativa conta ainda com a colaboração do PCAL – Programa Comunitário de Apoio ao Luto, envolvendo diversos municípios da região de Aveiro, escolas de arte e artesãos locais.

A proposta de Adela Pakandlova assenta na dinamização de workshops de modelação de barro, como ferramenta terapêutica e educativa para pessoas em luto. Ao longo do estágio, serão realizadas oficinas dirigidas a grupos de apoio ao luto, mas também pessoal da academia, estudantes, docentes e investigadores,  combinando expressão artística, psicoeducação e desenvolvimento emocional. O barro, elemento simbólico e manipulável, permite que emoções difíceis encontrem forma, volume e, muitas vezes, palavras.

O estágio de Adela Pakandlova tem como prioridade principal a dinamização de workshops de modelação de barro junto de grupos de apoio ao luto, promovidos em contexto comunitário no âmbito do PCAL – Programa Comunitário de Apoio ao Luto. Estas oficinas oferecem um espaço seguro para a expressão simbólica da dor, recorrendo à arte como ferramenta de suporte emocional e reconstrução do sentido após a perda. Paralelamente, a investigadora participa na formação dos estudantes da Licenciatura em Educação Básica da Universidade de Aveiro, através de oficinas criativas que exploram o uso das artes no desenvolvimento emocional e social, numa perspetiva psicoeducativa. Esta dimensão formativa é complementada por um trabalho de investigação que procura analisar o impacto da expressão artística no processo de luto, contribuindo para o avanço do conhecimento científico na área. Finalmente, o estágio constitui também uma oportunidade privilegiada de intercâmbio cultural e trabalho em rede, envolvendo investigadores, docentes, estudantes, técnicos e artesãos locais, num esforço coletivo por abordagens mais humanas e integradas no apoio ao luto. Acreditamos que esta colaboração vem reforçar a importância de abordagens sensíveis e inovadoras no apoio aos enlutados. Modelar o barro é, neste contexto, mais do que criar formas: é cuidar da dor, dar expressão ao silêncio e construir, pouco a pouco, um novo sentido para a perda.