A Escola Secundária D. Manuel I, do Agrupamento de Escolas de Beja, recebeu recentemente a investigadora Cristina Felizardo para uma sessão sobre o luto político e cultural experienciado no “movimento dos retornados”. A convite da professora de História, Teresa Helena Gonçalves, no âmbito das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, Cristina Felizardo apresentou a comunicação intitulada “O Retorno: Viver o luto pela perda de identidade, casa e cultura”, dirigida aos alunos do 9.º e do 12.º ano.
A sessão abordou o tema do luto político e cultural vivido pelos chamados “retornados”, portugueses que, após a Revolução de Abril de 1974 e durante o processo de descolonização, regressaram de forma abrupta das ex-colónias africanas para Portugal continental. Muitos destes cidadãos enfrentaram perdas simbólicas e profundas: a perda da identidade construída em território ultramarino, a separação da rede social e afetiva (vizinhos, amigos, colegas de trabalho), a perda de bens materiais, como casas, objetos pessoais e até da sua posição social e económica.
Cristina Felizardo destacou que estas perdas provocaram processos de luto complexos, muitas vezes não reconhecidos socialmente. É neste contexto que se fala de luto político, uma forma de sofrimento emocional e identitário desencadeado por eventos históricos, decisões políticas ou mudanças sociais abruptas.
A oradora participou nesta iniciativa em representação do CIDTFF – Centro de Investigação em Didática e Tecnologia na Formação de Formadores, no âmbito do seu projeto de investigação “Aconselhamento no Luto: a formação especializada no apoio ao luto”, desenvolvido no Departamento de Educação e Psicologia da Universidade de Aveiro. O projeto visa promover a qualificação de profissionais que intervêm no apoio ao luto, nas suas múltiplas expressões e origens.
Durante a apresentação, Cristina Felizardo recorreu a testemunhos, cartas e imagens de época para ilustrar o impacto da vivência do retorno em milhares de famílias portuguesas. Os alunos foram convidados a refletir sobre o que considerariam ser perdas significativas nas suas próprias vidas, estimulando o pensamento crítico e empático face aos fenómenos migratórios e políticos atuais.
A sessão contribuiu para alargar o olhar dos alunos sobre o luto, integrando dimensões culturais, sociais e políticas numa abordagem empática e pedagógica.
Grief is everybody’s business.
Samar Aoun
Se conhece alguém que possa beneficiar destas ideias, partilhe este artigo!
