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Albergaria-a-Velha capacita profissionais para criar Grupos de Partilha no apoio ao luto

Entre 26 de Maio e 2 de Junho, a Incubadora de Empresas do Município de Albergaria-a-Velha acolheu uma formação avançada dirigida a profissionais das áreas da educação, psicologia, saúde, serviço social e gerontologia. Integrada no Programa Comunitário de Apoio ao Luto, a iniciativa focou-se na implementação de estratégias de intervenção comunitária destinadas a ajudar pessoas em processo de luto, com ênfase particular na organização e facilitação de Grupos de Partilha.

Uma resposta comunitária a uma necessidade sentida

Com a crescente procura de apoio emocional após perdas significativas, as autarquias e organizações da região têm apostado em respostas capazes de chegar ao terreno. Foi nesse contexto que surgiram dois dias de trabalho intensivo, concebidos para dotar técnicos de competências teóricas, éticas e práticas que sustentem intervenções de grupo eficazes. Os 30 participantes representavam escolas, centros de saúde, instituições particulares de solidariedade social e estruturas residenciais para idosos, o que assegurou um ambiente interdisciplinar rico em experiências e perspectivas.

Quadro conceptual e modelos de intervenção

O primeiro módulo abordou o enquadramento conceptual do luto, distinguindo diferentes tipos de perda (morte de um familiar, perda de saúde, divórcio, desemprego) e apresentando modelos teóricos como as Tarefas de Worden, o Processo Dual de Stroebe & Schut e a Perspectiva de Crescimento Pós Perda. A compreensão destes referenciais foi considerada essencial para planear intervenções ajustadas à singularidade de cada trajeto de luto.

Seguiu-se um bloco dedicado à ética, onde se discutiram princípios como a confidencialidade, o consentimento informado e os limites da atuação profissional. A formadora sublinhou que o respeito pela autonomia da pessoa enlutada é o primeiro passo para construir uma relação de apoio segura, sobretudo em contextos grupais onde as narrativas individuais se tornam públicas.

Num terceiro momento, os formandos treinaram a identificação de sinais de luto complicado — tais como a persistência de sintomas intensos, a marcada perturbação funcional ou o risco de isolamento social — aprendendo a diferenciar estas situações das reações expectáveis. Este diagnóstico atempado permite encaminhar quem necessita de acompanhamento especializado, evitando a cronificação do sofrimento.

Por fim, foram exploradas as fases práticas de constituição de um Grupo de Partilha: definição de objectivos, critérios de inclusão, elaboração do contrato grupal, condução das sessões e avaliação de resultados. Exercícios de role-play permitiram testar recursos de facilitação, desde a gestão de silêncio até à validação empática.

Próximos passos No final, os participantes manifestaram o compromisso de lançar, ainda este ano, grupos piloto nas suas instituições. A aposta na intervenção comunitária foi unanimemente considerada decisiva para quebrar o isolamento que muitas vezes acompanha o luto e para devolver às pessoas o sentido de pertença e de esperança.

Grief is everybody’s business.

Samar Aoun

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